Pessoas com até 24 anos podem receber a vacina contra a meningite nas cidades do Rio de Janeiro, Belford Roxo, Duque de Caxias e Nova Iguaçu. Os quatro municípios foram priorizados pelo risco de transmissão da doença meningocócica. A ação ocorre até 31 de outubro, com a vacina ACWY disponível nas unidades básicas de saúde.
Para se vacinar, é necessário comparecer a uma unidade de saúde de um dos quatro municípios levando um documento de identidade e, se possível, o cartão de vacinação. O Ministério da Saúde enviou 400 mil doses para a campanha.
O imunizante é aplicado em dose única a partir dos 11 anos. Pessoas que já receberam a vacina ACWY não precisam tomar uma nova dose. A estratégia busca alcançar adolescentes e adultos jovens que não foram vacinados na idade recomendada.
Desde 2024, a doença meningocócica apresenta aumento no número de casos no estado do Rio de Janeiro. Segundo dados do Sistema Nacional de Agravos de Notificação (Sinan), foram registrados 70 casos em 2024, 95 em 2025 e 49 até setembro de 2026.
Nos quatro municípios incluídos na ação, há concentração de pessoas que não receberam a vacina no período indicado. A vacina meningocócica passou a integrar o Calendário Nacional de Vacinação dos adolescentes em 2020, inicialmente para jovens de 11 e 12 anos. Posteriormente, a recomendação foi ampliada para a faixa de 11 a 14 anos. Durante a pandemia de covid-19, parte desse público deixou de ser imunizada.
Adolescentes e adultos jovens são os principais portadores da bactéria na garganta e contribuem para a circulação do agente causador da doença. Por isso, a ampliação da vacinação nessa faixa etária é uma medida para reduzir a transmissão e proteger a população.
Desde julho de 2025, a vacina ACWY também é utilizada como reforço aos 12 meses de idade, em substituição à vacina meningocócica C.
A subsecretária de Vigilância Epidemiológica e Atenção Primária à Saúde da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, Silvia Carvalho, afirmou que as vacinas são seguras e recomendou que o público-alvo procure os postos de saúde para receber o imunizante.
Entre os principais sintomas da meningite estão dor de cabeça, enjoo, vômitos, febre, mal-estar, irritabilidade, convulsões e rigidez na nuca, caracterizada pela dificuldade de dobrar o pescoço e encostar o queixo no peito. Manchas vermelhas ou arroxeadas na pele e sensibilidade à luz também podem ocorrer e exigem atenção imediata.
Em bebês, os sinais podem ser menos evidentes. Irritabilidade, vômitos, dificuldade para se alimentar e ausência de resposta a estímulos podem indicar a doença. Também podem ocorrer abaulamento da moleira e reflexos anormais.
Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados ao rinovírus, ao metapneumovírus e ao Sars-CoV-2 apresentam tendência de aumento no Brasil, segundo o boletim semanal InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quinta-feira (8). Apesar da alta nos indicadores relacionados aos vírus respiratórios, os novos casos semanais de SRAG por covid-19 permanecem baixos no país.
Os pesquisadores recomendam que a população prioritária verifique se está com a vacinação contra a covid-19 em dia. Para as gestantes, o boletim reforça também a importância da imunização contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR).
Na análise nacional, o levantamento identificou um leve sinal de retomada no crescimento dos casos de SRAG entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos. Nas demais faixas etárias, os registros permanecem estabilizados.
O boletim indica que os casos de SRAG provocados pelo VSR e pela influenza B estão em queda. As hospitalizações relacionadas à influenza A, por sua vez, permanecem estáveis e em níveis baixos de incidência.
Entre os estados, Alagoas, Roraima e Sergipe registraram incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco nas duas semanas anteriores à divulgação do boletim. As três unidades também apresentam indícios de crescimento na tendência observada nas últimas seis semanas.
O aumento nesses estados ocorre principalmente entre crianças e adolescentes. Em Alagoas e Sergipe, a elevação está associada ao metapneumovírus. Em Roraima, ainda não há dados suficientes para identificar o vírus responsável pelo crescimento dos casos.
Outros cinco estados — Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina — também apresentaram incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco. Nesses locais, porém, não foi identificado sinal de crescimento na tendência de longo prazo.
Entre as capitais, Aracaju, Porto Alegre, Rio Branco, São Luís e Vitória apresentaram nível de atividade de SRAG classificado como de alerta, risco ou alto risco nas duas semanas analisadas. Ao todo, o país tem 27 capitais.
O InfoGripe também aponta que a incidência e a mortalidade semanal média, consideradas as últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão de maior impacto nos extremos das faixas etárias. A incidência de SRAG é mais elevada entre crianças de até 2 anos, enquanto a mortalidade atinge principalmente a população com 65 anos ou mais.
Quase metade dos municípios brasileiros apresentou índices de alerta ou risco para a presença do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika. O resultado faz parte do segundo ciclo do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), divulgado pelo Ministério da Saúde na quarta-feira (7).
Dos 3.732 municípios que encaminharam informações ao governo federal, 49,2% registraram indicadores compatíveis com alerta ou risco de infestação. O levantamento foi realizado entre maio e agosto e serve para orientar estados e prefeituras na definição de ações de prevenção e controle das arboviroses.
Apesar dos índices de infestação, os registros de infecções apresentaram melhora em relação ao ano anterior. Até 26 de setembro, o Brasil contabilizou 470,5 mil casos prováveis de dengue em 2026, aproximadamente 70% a menos que os 1,5 milhão registrados no mesmo período de 2025.
Também houve redução nos casos prováveis de chikungunya e zika. Os registros de chikungunya caíram 43%, de 118.885 casos em 2025 para 67,9 mil entre janeiro e setembro deste ano. Já os casos de zika passaram de 3.724 para 2.141, uma redução de 35%.
Os dados do LIRAa mostram ainda os principais locais de criação do mosquito. Vasos e pratos de plantas, garrafas e pequenos recipientes de uso cotidiano concentraram 42,3% dos focos. Reservatórios de água, como caixas-d’água, tonéis e cisternas, responderam por 26,1%. Pneus, lixo e resíduos sólidos, incluindo latas, garrafas PET e entulho, representaram 23%.
A predominância dos criadouros varia conforme a região. No Norte, os focos aparecem principalmente em pneus e lixo. No Nordeste, destacam-se caixas-d’água e outros reservatórios usados para armazenar água. No Sudeste, Sul e Centro-Oeste, são mais comuns os recipientes domésticos, vasos, pratos de plantas e garrafas.
O Ministério da Saúde informou que estados, municípios e a população devem antecipar medidas de prevenção para reduzir o risco de transmissão no próximo verão. Entre os fatores considerados está o avanço do El Niño, fenômeno climático que altera padrões de chuva e temperatura.
Entre as ações previstas estão a formação de mais de 300 mil Agentes Comunitários de Saúde até o fim do ano, o trabalho dos Agentes de Combate às Endemias, o uso de ovitrampas e a aplicação de tecnologias como a Borrifação Residual Intradomiciliar, as Estações Disseminadoras de Larvicida e o método Wolbachia.
O governo também reforça a necessidade de participação dos moradores. A orientação é manter caixas-d’água, tonéis e cisternas tampados, guardar garrafas e baldes virados para baixo, limpar calhas e ralos, descartar corretamente pneus, latas, plásticos e entulhos e eliminar a água acumulada em vasos e pratos de plantas.
A Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES-PB) vai intensificar as ações de vacinação em todo o estado com estratégias para ampliar a cobertura vacinal e atualizar os esquemas de imunização da população. Uma das principais iniciativas será o Dia D de Multivacinação, marcado para o dia 17 de outubro, com foco na prevenção do sarampo e da meningite.
A mobilização tem como objetivo facilitar o acesso da população às vacinas, completar esquemas vacinais incompletos e fortalecer a proteção contra doenças imunopreveníveis.
A preocupação com o sarampo está relacionada ao cenário epidemiológico registrado em alguns países das Américas e à ocorrência de casos importados no Brasil. De acordo com a SES-PB, foram registrados casos importados nos estados do Amazonas, Rio de Janeiro e São Paulo.
A Paraíba não registra casos confirmados de sarampo desde 2019, mas a Secretaria de Estado da Saúde mantém ações de vigilância e vacinação para evitar a introdução e a circulação do vírus.
Segundo a chefe do Núcleo de Imunização da SES-PB, Márcia Mayara, a manutenção de altas coberturas vacinais é fundamental diante da circulação do vírus.
“É necessário manter uma vigilância ativa e, principalmente, garantir que a população esteja adequadamente vacinada. O sarampo possui elevada capacidade de transmissão e, diante da circulação do vírus em outros países e da ocorrência de casos importados no Brasil, manter altas coberturas vacinais é fundamental para evitar a introdução e a transmissão sustentada da doença”, afirmou.
A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, integra o Calendário Nacional de Vacinação e é disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças a partir de 1 ano, adolescentes e adultos de até 59 anos que não tenham sido vacinados.
A campanha também terá como foco a prevenção das meningites, em um período marcado pelo Dia Mundial de Combate à doença.
A SES-PB reforça que a vacinação é uma das principais estratégias de prevenção contra as meningites bacterianas. Entre os imunizantes disponíveis gratuitamente pelo SUS estão as vacinas meningocócica C e meningocócica ACWY, conforme as recomendações do Calendário Nacional de Vacinação.
A meningocócica C integra o calendário de vacinação infantil, enquanto a meningocócica ACWY é indicada para crianças e adolescentes de acordo com as recomendações do calendário nacional.
Também está disponível no SUS a vacina pneumocócica 20-valente (VPC20), que protege contra doenças provocadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, incluindo formas invasivas, como a meningite pneumocócica.
Outro imunizante importante é a vacina pentavalente, que possui o componente contra Haemophilus influenzae tipo b (Hib), bactéria que pode provocar doenças graves, incluindo meningite, especialmente em crianças.
A BCG também exerce papel importante na prevenção das formas graves da tuberculose, incluindo a meningite tuberculosa.
Os dados apresentados pela Secretaria de Estado da Saúde mostram os seguintes índices de cobertura vacinal na Paraíba:
| Vacina | Cobertura |
|---|---|
| BCG | 95,39% |
| Febre Amarela | 73,30% |
| Hepatite A Infantil | 79,69% |
| Hepatite B até 30 dias | 99,38% |
| Meningocócica Conjugada | 86,96% |
| Pentavalente (DTP/HepB/Hib) | 85,08% |
| Pneumocócica Conjugada | 89,68% |
| Poliomielite | 86,07% |
| Rotavírus | 87,50% |
| Tríplice Viral – 1ª dose | 94,83% |
| Tríplice Viral – 2ª dose | 77,96% |
Segundo a SES-PB, a meta de cobertura para BCG e rotavírus é de 90%, enquanto para as demais vacinas relacionadas na avaliação a meta é de 95%.
Os números reforçam a importância das ações de mobilização para ampliar a cobertura vacinal e atualizar os esquemas de vacinação da população.
O Dia D de Multivacinação será realizado no dia 17 de outubro, com foco na atualização dos esquemas vacinais e na proteção contra o sarampo e a meningite.
A iniciativa faz parte das estratégias da Secretaria de Estado da Saúde para ampliar a vacinação e fortalecer a prevenção de doenças imunopreveníveis na Paraíba.
Quase metade dos municípios brasileiros apresentou situação de alerta ou risco para a presença do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika. O resultado faz parte do segundo ciclo do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), realizado entre maio e agosto e divulgado pelo Ministério da Saúde na quarta-feira (7).
Dos 3.732 municípios que encaminharam informações ao governo federal, 49,2% registraram índices que indicam alerta ou risco de infestação. Os dados servem para orientar estados e prefeituras na definição de medidas de prevenção e controle das arboviroses, doenças virais transmitidas pela picada do mosquito.
Apesar do cenário de infestação apontado pelo levantamento, o número de infecções apresentou redução em relação ao ano anterior. Até 26 de setembro, o Brasil contabilizou 470,5 mil casos prováveis de dengue em 2026, aproximadamente 70% menos que os 1,5 milhão registrados no mesmo período de 2025.
Também houve queda nos casos prováveis de chikungunya e zika. Os registros de chikungunya passaram de 118.885, em 2025, para 67,9 mil entre janeiro e setembro deste ano, uma redução de 43%. No caso da zika, o total caiu de 3.724 para 2.141 casos, diminuição de 35%.
O LIRAa identificou os principais locais usados como criadouros pelo mosquito. Vasos e pratos de plantas, garrafas e pequenos recipientes do cotidiano concentraram 42,3% dos focos. Reservatórios de água, como caixas-d’água, tonéis e cisternas, responderam por 26,1%. Pneus, lixo e outros resíduos sólidos, incluindo latas, garrafas PET e entulho, representaram 23%.
A distribuição dos criadouros varia entre as regiões. No Norte, predominam pneus e lixo. No Nordeste, os principais focos estão em caixas-d’água e reservatórios usados para armazenar água. Já no Sudeste, Sul e Centro-Oeste, a maior presença ocorre em vasos, pratos de plantas, garrafas e recipientes domésticos.
Entre as medidas anunciadas pelo Ministério da Saúde estão a formação de mais de 300 mil Agentes Comunitários de Saúde até o fim do ano, o trabalho dos Agentes de Combate às Endemias, o uso de ovitrampas para mapear áreas críticas e a aplicação da Borrifação Residual Intradomiciliar em locais como escolas, unidades de saúde e espaços de grande circulação.
A pasta também citou as Estações Disseminadoras de Larvicida e o método Wolbachia, que utiliza uma bactéria para impedir a transmissão dos vírus pelo mosquito. As ações foram antecipadas com o objetivo de reduzir o risco de transmissão no próximo verão, período de maior calor, em meio ao avanço do fenômeno El Niño.
O Ministério da Saúde orienta os moradores a vistoriar regularmente as casas e áreas externas, manter caixas-d’água, tonéis e cisternas tampados, guardar garrafas e baldes virados para baixo, limpar calhas e ralos, dar destino correto a pneus, latas, plásticos e entulhos e eliminar a água acumulada em vasos e pratos de plantas.
O fim do tratamento contra o câncer de mama nem sempre encerra o medo de que a doença volte. Durante o Outubro Rosa, especialistas alertam que muitas mulheres continuam enfrentando insegurança, alterações na autoestima, fadiga e dificuldades na vida afetiva mesmo depois da última sessão de quimioterapia ou radioterapia.
Segundo a psicóloga clínica Laís Mutuberria Vieira, a rotina de consultas, exames e contato frequente com profissionais de saúde muda quando o tratamento termina. A redução desse acompanhamento pode dar início a uma fase marcada por incertezas e receio de recidiva.
“A última sessão de quimioterapia ou radioterapia pode marcar o fim de um tratamento, mas não o cuidado com essa mulher, que ainda precisa continuar”, afirmou a psicóloga à Agência Brasil. Para ela, o suporte emocional deve acompanhar o ritmo de cada paciente e ajudar na reconstrução da confiança, mesmo sem eliminar completamente as incertezas.
Laís explica que exames de acompanhamento, dores ou qualquer alteração no corpo podem ser interpretados como sinais de retorno da doença. Além disso, familiares e amigos muitas vezes retomam a rotina depois da conclusão do tratamento, enquanto a paciente ainda teme ficar sozinha com suas preocupações.
As consequências também podem atingir a autoestima e a sexualidade. Algumas mulheres convivem com cicatrizes, retirada de uma mama ou dificuldade de se reconhecer após uma reconstrução mamária. O tratamento de acompanhamento pode durar até cinco anos, com uso de medicamentos e efeitos como fadiga, redução da disposição e mudanças na intimidade com o parceiro.
A médica mastologista e radiologista Renata Reis Pinto, que atua no Instituto Nacional de Câncer (Inca), afirma que o câncer de mama ainda é cercado por estigmas e frequentemente encarado como uma sentença de morte. Para ela, oferecer atendimento multidisciplinar é importante para lidar com as necessidades clínicas, sociais e emocionais da paciente.
Esse atendimento pode incluir assistência social para questões relacionadas ao trabalho e aos cuidados com os filhos, além da psico-oncologia. De acordo com Renata, o acompanhamento psicológico também ajuda a identificar quando o medo se torna intenso a ponto de exigir avaliação para uso de medicação.
Moradora de Volta Redonda, no sul fluminense, Josiane Fernandes, de 48 anos, descobriu um nódulo na mama esquerda no início de 2025. O diagnóstico foi confirmado em março daquele ano. Ela passou por cirurgia, quimioterapia e imunoterapia durante aproximadamente um ano e três meses e relata ter desenvolvido depressão durante o processo.
Mesmo após o fim do tratamento, Josiane continua em acompanhamento médico e diz sentir pânico antes de consultas e exames. “O tratamento pode terminar, mas o medo nem sempre termina junto”, afirmou. Para ela, a vida depois do câncer existe, mas precisa ser reconstruída com cuidado no período pós-tratamento.
De acordo com estimativa do Inca, o câncer de mama representa 30% dos casos de tumores entre as mulheres. Para cada ano do triênio de 2026 a 2028, são estimados 78.610 novos casos no Brasil, com risco de 71,57 casos a cada 100 mil mulheres.
Investimentos direcionados em ações de saúde podem evitar 739 mil mortes prematuras no Brasil até 2050 e acrescentar mais de R$ 1 trilhão ao Produto Interno Bruto (PIB) do país. A estimativa faz parte do recorte nacional do estudo A saúde das nações: saúde mais forte, economias mais fortes, elaborado pelo McKinsey Health Institute.
O levantamento foi apresentado na terça-feira (6), durante um encontro de jornalistas da América Latina realizado em San José, na Costa Rica. Segundo Brad Herbig, diretor de dados de Saúde do instituto, o aumento dos recursos precisa ser acompanhado pela escolha de medidas comprovadamente eficazes e custo-efetivas, capazes de produzir os melhores resultados com o menor custo possível.
Para elaborar a pesquisa, o instituto analisou cerca de 300 intervenções baseadas em evidências científicas. As medidas estão relacionadas a 90 doenças e 27 fatores de risco, que correspondem a 85% dos principais problemas de saúde da população mundial. Foram consideradas ações de prevenção em nível populacional e individual, além de tratamentos.
Entre as iniciativas avaliadas estão a cobrança de impostos sobre produtos como cigarro, álcool e alimentos ultraprocessados; a proteção de trabalhadores contra poluentes; a vacinação com alta cobertura; exames preventivos realizados em pelo menos 75% do público-alvo; cirurgias no prazo adequado e a incorporação progressiva de medicamentos avançados.
No cenário brasileiro, a adoção dessas medidas poderia elevar em cinco anos a expectativa de vida, chegando a 85 anos. O tempo médio vivido com boa saúde passaria a 76 anos, nove a mais do que a estimativa atual. A pesquisa também calcula que, para cada dólar investido em ações efetivas de saúde no país, US$ 2,10 seriam adicionados ao PIB.
O retorno econômico estaria ligado principalmente ao aumento da produtividade, à redução de mortes entre pessoas mais jovens e à diminuição do adoecimento. O estudo também aponta efeitos sobre a formação das crianças, que teriam mais condições de avançar nos estudos, e sobre os responsáveis que precisam conciliar trabalho e cuidados de saúde.
No Brasil, 59% do impacto total estimado viria de ações de prevenção. A maior parte delas não ocorre diretamente em unidades de saúde, o que amplia a participação de instituições de diferentes áreas. Entre as medidas com maior potencial estão políticas fiscais para reduzir o consumo de álcool, tabaco e ultraprocessados, o controle da pressão arterial e ações de prevenção cardiovascular.
Também foram destacadas estratégias de controle do peso por meio de dieta e exercícios, medicamentos para emagrecimento, tratamento adequado do câncer, oferta de medicamentos psiquiátricos e melhorias em equipamentos e insumos médicos.
Até 2050, a projeção indica redução de 46% nos anos perdidos por doenças respiratórias crônicas e transtornos de saúde mental. A queda estimada é de pelo menos 40% para doenças cardiovasculares e enfermidades relacionadas a deficiências nutricionais. As perdas associadas ao abuso de substâncias podem cair 39%, enquanto as provocadas por diabetes e doenças renais teriam redução de 35%.
Na América Latina, os países investem em média 3,7% do PIB em saúde, contra 7,9% nos países de alta renda. Menos de 5% dos recursos da região são destinados à prevenção, embora essas medidas respondam por 61% das ações capazes de reduzir mortes prematuras e adoecimento.
Investimentos direcionados em ações comprovadamente eficazes de saúde podem evitar 739 mil mortes prematuras no Brasil até 2050, além de acrescentar mais de R$ 1 trilhão ao Produto Interno Bruto (PIB) do país. A estimativa faz parte do recorte nacional do estudo A saúde das nações: saúde mais forte, economias mais fortes, elaborado pelo McKinsey Health Institute.
O levantamento foi apresentado na terça-feira (6), durante um encontro de jornalistas da América Latina realizado em San José, na Costa Rica. Segundo Brad Herbig, diretor de dados de Saúde do instituto, o aumento dos recursos precisa ser acompanhado pela aplicação do dinheiro em medidas com eficácia comprovada e boa relação entre custo e resultado.
Para elaborar a pesquisa, o instituto analisou cerca de 300 intervenções de saúde relacionadas a 90 doenças e 27 fatores de risco. De acordo com o estudo, esse conjunto representa 85% dos principais problemas de saúde que afetam a população mundial. Foram consideradas medidas de prevenção em nível populacional e individual, além de tratamentos.
Entre as ações avaliadas estão a taxação de produtos prejudiciais à saúde, como cigarro e álcool; a proteção de trabalhadores contra poluentes; a vacinação com altas coberturas; exames preventivos para pelo menos 75% do público-alvo; cirurgias realizadas no prazo adequado; e a incorporação progressiva de medicamentos mais avançados.
No cenário brasileiro, a adoção dessas intervenções poderia elevar em cinco anos a expectativa de vida, para 85 anos. O tempo médio vivido com boa saúde também aumentaria: passaria para 76 anos, nove a mais que a estimativa atual.
O estudo calcula ainda que, para cada US$ 1 investido em ações efetivas de saúde no Brasil, US$ 2,1 seriam adicionados ao PIB. O retorno estaria relacionado principalmente ao aumento da produtividade, à redução de mortes entre pessoas mais jovens e à diminuição do adoecimento.
A prevenção responde por 59% do impacto total estimado no país. Entre as medidas com maior potencial estão políticas fiscais para reduzir o consumo de álcool, tabaco e alimentos ultraprocessados, o monitoramento da pressão arterial, o controle do peso por meio de dieta e exercícios e a oferta de medicamentos para emagrecimento.
Na área terapêutica, o tratamento adequado do câncer aparece como a intervenção de maior impacto potencial, seguido pela oferta de medicamentos psiquiátricos e por melhorias em equipamentos e insumos médicos. O relatório também destaca que algumas medidas podem produzir efeitos em curto prazo, como o diagnóstico precoce e o acesso rápido aos tratamentos indicados.
Até 2050, as doenças respiratórias crônicas e os transtornos de saúde mental podem registrar redução de 46% nos anos perdidos por mortes prematuras e incapacidade. A queda estimada é de pelo menos 40% para doenças cardiovasculares e problemas relacionados a deficiências nutricionais. Para perdas associadas ao abuso de substâncias, a redução potencial é de 39%; para diabetes e doenças renais, de 35%.
Na América Latina, os países investem em média 3,7% do PIB em saúde, contra 7,9% nas nações de alta renda. Menos de 5% dos recursos da região são destinados à prevenção, embora essas ações correspondam a 61% das medidas capazes de reduzir mortes prematuras e adoecimento.
O Ministério da Saúde reforçou o monitoramento do risco de sarampo no Brasil diante do aumento de casos nos Estados Unidos e em outros países das Américas. Segundo a pasta, os Estados Unidos registram o maior número anual de casos da doença em mais de 35 anos, e mais de 90% dos infectados não foram vacinados ou têm situação vacinal desconhecida.
De acordo com dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Canadá concentram mais de 95% dos casos confirmados de sarampo nas Américas ao longo de 2026.
No Brasil, foram registrados 52 casos importados até 5 de outubro. São 41 casos em São Paulo, 10 no Amazonas e um no Rio de Janeiro. Apesar das ocorrências, o país continua classificado como livre da circulação endêmica do sarampo.
Para evitar a transmissão, equipes de saúde realizam busca ativa, investigação epidemiológica, monitoramento de contatos e bloqueio vacinal. A vacinação também foi intensificada em espaços públicos e locais de grande circulação nas áreas com registros da doença.
Ao longo de 2026, foram promovidas quatro grandes mobilizações de vacinação contra o sarampo. Mais de 3,8 milhões de doses foram aplicadas em São Paulo e cerca de 192 mil no Amazonas.
Em São Paulo, as ações foram reforçadas na capital e nos municípios de Guarulhos, São Bernardo do Campo e Santo André. A estratégia inclui busca ativa, investigação de casos, acompanhamento de contatos e bloqueio vacinal.
Também está sendo utilizada a chamada dose zero para crianças de 6 meses a 11 meses e 29 dias. A aplicação é adicional às doses previstas no calendário de rotina, administradas aos 12 e aos 15 meses de idade.
Na região de tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, a resposta foi ampliada após a confirmação de casos importados. As medidas envolvem vacinação, busca ativa, investigação de suspeitas, coleta de amostras, identificação e acompanhamento de contatos e bloqueio vacinal, com apoio de equipes federais.
O Brasil perdeu, em 2019, a certificação de eliminação do sarampo após registrar mais de 20 mil casos e manter mais de 12 meses de transmissão. Em novembro de 2024, a Opas voltou a certificar o país como livre da circulação endêmica do vírus, depois da interrupção da transmissão sustentada.
Entre 2023 e 2025, foram confirmados 85 casos de sarampo no Brasil, sem registro de mortes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), desde 2023 houve aumento na cobertura das 16 vacinas do calendário infantil, enquanto o número de crianças não vacinadas caiu 86%.
Em 2025, a cobertura da primeira dose da vacina tríplice viral chegou a 93,10% no país. O índice foi de 94,39% em São Paulo e de 89,54% no Amazonas. A vacina, que também protege contra caxumba e rubéola, está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). Pessoas com doses atrasadas devem procurar uma unidade de saúde para atualizar a caderneta conforme as recomendações do Programa Nacional de Imunizações.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou nesta quarta-feira (7) o primeiro guia global para enfrentar a obesidade em crianças e adolescentes. Segundo a entidade, a prevalência da doença nessa faixa etária quadruplicou desde 1990, passando de 2% para 8%.
Dados da agência das Nações Unidas indicam que, em 2024, 170 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos tinham obesidade. Desse total, 70 milhões estavam na faixa de 5 a 9 anos e 100 milhões tinham entre 10 e 19 anos.
No documento, a OMS classifica a obesidade como uma doença crônica e recorrente. As consequências podem aparecer ainda na infância e elevar o risco de doenças não transmissíveis, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
A organização também alerta para os impactos sociais e emocionais da condição. Crianças e adolescentes com obesidade podem enfrentar estigma, discriminação e bullying, fatores que afetam a saúde mental, a educação, o bem-estar social e a qualidade de vida.
Para crianças e adolescentes com obesidade, a OMS recomenda intervenções estruturadas que combinem alimentação, atividade física e mudança de comportamento. Essas medidas podem ser aplicadas individualmente ou como parte de programas que reúnam diferentes estratégias de cuidado.
Intervenções de saúde digital são recomendadas de forma condicional e devem contar com a supervisão de pais ou responsáveis. Para crianças de até 9 anos, a entidade não recomenda tratamentos farmacológicos, cirurgia bariátrica ou dispositivos voltados à perda de peso.
Entre adolescentes de 10 a 19 anos, medicamentos aprovados, como as chamadas canetas emagrecedoras, podem ser considerados somente quando um programa supervisionado de mudança de estilo de vida não apresentar os resultados esperados. A cirurgia bariátrica também pode ser avaliada em adolescentes com obesidade grave, desde que sejam cumpridas condições rigorosas.
Embora a saúde mental não seja o foco principal do guia, a OMS afirma que ela deve ser tratada junto com a obesidade. Ansiedade, depressão, baixa autoestima e desregulação emocional podem contribuir para hábitos alimentares inadequados, sedentarismo e isolamento social.
A entidade orienta que os profissionais de saúde abordem precocemente a obesidade e as questões de saúde mental, de maneira conjunta e adequada ao estágio de desenvolvimento de cada paciente. A recomendação também prevê a participação da família e o uso de estratégias inclusivas.
Para a OMS, o tratamento individual não é suficiente para conter o avanço da obesidade. A organização defende políticas públicas que tornem a alimentação saudável e a atividade física mais acessíveis e financeiramente viáveis, além de medidas nas áreas de educação, planejamento urbano, transporte e proteção social.