Uma auditoria realizada pelo governo do estado do Rio de Janeiro identificou indícios de desvios superiores a R$ 400 milhões na Caixa de Assistência dos Empregados da Cedae, a Cedae Saúde. O levantamento apontou possíveis irregularidades no pagamento por serviços e suspeita de favorecimento de empresas ligadas à antiga direção da entidade.
O relatório será encaminhado ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que poderá aprofundar a apuração e adotar as medidas judiciais cabíveis. Os dados apresentados na auditoria indicam possíveis irregularidades, que ainda deverão ser investigadas pelos órgãos competentes.
A Cedae Saúde foi criada em 1988 e administra a assistência médica de funcionários ativos, dependentes, aposentados e pensionistas. Ao todo, a entidade atende 17 mil beneficiários.
A apuração começou depois da exoneração do então presidente da Cedae Saúde, Eric Frederik Gualberto, em junho de 2026. Segundo o levantamento, a nova diretoria encontrou arquivos com nomes de fornecedores e registros contábeis apagados, referentes ao período entre dezembro de 2023 e abril de 2026.
Os auditores conseguiram recuperar os dados. A análise dos arquivos apontou indícios de favorecimento de empresas ligadas à antiga administração da entidade.
De acordo com a auditoria, quatro empresas que fazem parte de uma offshore ligada a Eric Frederik Gualberto nas Ilhas Virgens Britânicas receberam R$ 95 milhões durante o período em que ele esteve à frente da Cedae Saúde. A informação integra o relatório que será encaminhado ao MPRJ.
O levantamento também analisou os repasses feitos pela Diretoria Financeira e de Relações com Investidores da antiga gestão da Cedae para custear o funcionamento da Cedae Saúde. A administração atual considerou que os valores transferidos mensalmente eram superiores às necessidades da entidade.
Durante a gestão anterior, o repasse médio era de R$ 20 milhões por mês. Atualmente, segundo os dados apresentados, o valor está em torno de R$ 6 milhões mensais, o que representa uma redução de 70%.
O dólar comercial fechou a sessão desta sexta-feira (9) cotado a R$ 4,985, com queda de 0,78%. A moeda norte-americana encerrou abaixo de R$ 5 pela segunda sessão consecutiva e acumulou desvalorização de 4,44% na primeira semana após o primeiro turno das eleições.
Durante o pregão, o dólar chegou a atingir a mínima de R$ 4,977, por volta das 13h. No acumulado do ano, a moeda registra queda de 9,18% em relação ao real. O movimento ocorreu em um cenário de valorização das moedas de países emergentes e de expectativas dos investidores sobre o cenário político brasileiro após a divulgação de pesquisas eleitorais.
O mercado também acompanhou os dados de inflação divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,82% em setembro. Em 12 meses, a inflação acumulou alta de 4,58%.
No exterior, o índice DXY, que acompanha o desempenho do dólar diante de uma cesta formada por seis moedas fortes, registrava alta de 0,08% em uma das cotações divulgadas durante a tarde.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, avançou 1,38% nesta sexta-feira e terminou o dia aos 209.066,90 pontos, novo recorde de encerramento. Durante o pregão, o indicador chegou à máxima histórica de 209.713,45 pontos.
Na semana, o Ibovespa acumulou valorização de 8,82%. O desempenho foi associado ao fluxo de investimentos para ações brasileiras e às expectativas relacionadas ao cenário eleitoral e à política econômica a partir de 2027.
As bolsas de Nova York também encerraram o dia em alta. O índice S&P 500, que reúne ações das 500 maiores empresas dos Estados Unidos, subiu 0,60%, em uma sessão marcada pela expectativa com a temporada de resultados corporativos do terceiro trimestre e pela atenção aos próximos dados de inflação.
Os contratos futuros de petróleo também fecharam em alta. O barril do tipo Brent para dezembro, referência internacional, avançou 0,42% e terminou cotado a US$ 104,72. O petróleo WTI para novembro, negociado no Texas, subiu 0,39%, para US$ 91,85 por barril.
Na semana, o Brent acumulou alta de 2,41%, enquanto o WTI avançou 0,81%. Os preços foram influenciados por preocupações com a oferta global, pelas tensões no Oriente Médio, por relatos de incidentes em rotas estratégicas de transporte e pelos efeitos de condições climáticas adversas sobre a produção nos Estados Unidos.
Cerca de 86% das notas fiscais emitidas por empresas obrigadas a informar a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) já destacavam o tributo nos últimos 30 dias, informou a Receita Federal nesta sexta-feira (9). O levantamento considera documentos emitidos até as 23h59 de 7 de outubro e foi atualizado no painel de Registro de Operações de Consumo (ROC) em 8 de outubro de 2026.
De acordo com os dados, foram emitidas 3,7 bilhões de notas fiscais com a informação da CBS no período. Outros 600 milhões de documentos não apresentaram o destaque da contribuição. A CBS foi criada pela reforma tributária para substituir gradualmente tributos cobrados sobre bens e serviços.
O levantamento também mostra a situação dos estabelecimentos emissores. No período analisado, 1.275.356 empresas obrigadas emitiram documentos fiscais. Desse total, 489.326 informaram a CBS em todas as notas emitidas, enquanto 365.826 destacaram o tributo apenas em parte dos documentos.
Somadas as duas categorias, 855.152 empresas, aproximadamente 67% do total, já informaram a CBS em todas ou em parte das notas fiscais. O indicador inclui tanto os estabelecimentos que concluíram a adaptação quanto aqueles que ainda estão ajustando seus sistemas e processos.
As empresas optantes pelo Simples Nacional não são obrigadas a destacar a CBS em 2026 e, por isso, não fazem parte desse cálculo.
Por tipo de documento fiscal, o maior percentual de adequação foi registrado no Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e), com 87% dos emissores informando a CBS. São 8.124 estabelecimentos que fazem o destaque em todas as notas e 17.139 que o fazem em parte delas.
Na Nota Fiscal Fatura de Serviços de Comunicação (NFCom), o percentual é de 82%. Desse grupo, 1.581 estabelecimentos destacam a contribuição em todos os documentos e 1.466 em parte das emissões.
A Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFC-e), utilizada em atividades como supermercados, farmácias, restaurantes e postos de combustível, registra 81% de adequação. O destaque aparece em todas as notas de 73.841 emissores e em parte delas nas emissões de outros 94.827 estabelecimentos.
Já a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), usada principalmente por indústrias, atacadistas e distribuidores, apresenta 78% de adesão. O tributo é informado em todos os documentos de 247.783 estabelecimentos e em parte das notas de outros 268.015.
A CBS integra, juntamente com o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), o novo modelo de tributação sobre o consumo. O cronograma prevê 2026 como período de adaptação e testes; o início da cobrança integral da CBS em 2027; a redução gradual do ICMS e do ISS entre 2029 e 2032; e a vigência integral do IBS prevista para 2033.
A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS orientam as empresas a preparar sistemas fiscais, rotinas de faturamento e processos internos para cumprir as obrigações previstas nos regulamentos e atos conjuntos dos órgãos.
Bancos e instituições financeiras começam nesta sexta-feira (9) a devolver cerca de R$ 1,325 bilhão que permaneceu nas contas de apostadores após o encerramento de plataformas de apostas on-line abrangidas pela Medida Provisória (MP) 1.394/2026. A restituição deve beneficiar aproximadamente 26,5 milhões de apostadores e está prevista para ocorrer até a próxima quarta-feira (14).
Os valores serão devolvidos pelas instituições financeiras de acordo com o cronograma definido pelo governo. Os apostadores devem acompanhar a movimentação da conta bancária utilizada para fazer os depósitos nas plataformas.
O prazo para retirar voluntariamente os recursos nas bets terminou às 23h59 de segunda-feira (5). No dia seguinte, os sites e aplicativos alcançados pela medida começaram a ser retirados do ar. As empresas tiveram até quinta-feira (8) para enviar aos bancos os dados dos saldos associados aos CPFs e às contas usadas nas transações.
O cronograma prevê que os bancos façam as devoluções entre 9 e 14 de outubro. A partir de 14 de outubro, a Caixa Econômica Federal assumirá os casos em que houver impedimentos operacionais. Os valores que não forem restituídos por dificuldades desse tipo serão encaminhados ao banco público, que ficará responsável por intermediar os pagamentos pendentes.
De acordo com o Ministério da Fazenda, as orientações para os apostadores nessa etapa serão divulgadas nos canais oficiais. A recomendação é acompanhar os comunicados do governo e da instituição financeira responsável pela devolução.
Grande parte dos recursos está distribuída em contas com saldos muito baixos. Segundo o governo, 86,2 milhões de contas mantinham valores entre R$ 0,01 e R$ 0,99, que somavam R$ 15,5 milhões. O número de contas é maior que o de apostadores porque uma mesma pessoa pode ter cadastro em diferentes plataformas.
O governo também analisa saldos elevados que permaneceram nas plataformas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que cerca de 40 CPFs estão sob análise por causa dos montantes mantidos nas contas, com o objetivo de apurar possíveis irregularidades, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro.
A MP que determinou o encerramento das operações abrangidas pela decisão foi publicada em 25 de setembro e ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional dentro do prazo legal para continuar em vigor.
Durante o processo de devolução, os apostadores devem consultar somente os canais oficiais do governo e dos bancos. Também é necessário desconfiar de mensagens que cobrem taxas para liberar o dinheiro, não fornecer senhas ou códigos bancários a terceiros e confirmar diretamente com a instituição financeira qualquer informação sobre o pagamento. Não há necessidade de pagar valores antecipados para receber o saldo.
A medida faz parte de um pacote voltado ao combate ao endividamento das famílias e aos problemas associados ao uso compulsivo de jogos virtuais. O governo também determinou ações contra plataformas clandestinas. A regulamentação das apostas de quota fixa começou a ser estruturada em 2023. O setor havia sido legalizado em 2018, no fim do governo Michel Temer, mas a regulamentação prevista originalmente não foi implementada dentro dos prazos estabelecidos.
O Brasil ultrapassou a marca de 1 bilhão de chaves Pix cadastradas em setembro, segundo dados do Banco Central (BC). Em 30 de setembro, o sistema contabilizava 1,008 bilhão de registros, contra 998 milhões no fim de agosto.
O volume representa um aumento de aproximadamente 80 milhões de chaves desde dezembro de 2025, quando havia 920 milhões de registros. O número de chaves, no entanto, não equivale à quantidade de usuários do Pix, já que uma mesma pessoa ou empresa pode cadastrar mais de uma chave.
De acordo com o BC, o sistema reunia cerca de 170 milhões de clientes, entre pessoas físicas e jurídicas. Considerando os números aproximados, isso corresponde a uma média próxima de seis chaves por cliente.
Do total registrado em setembro, 956,7 milhões de chaves estavam vinculadas a pessoas físicas e 51,2 milhões a empresas. As chaves aleatórias eram maioria, com 526,8 milhões de cadastros, o equivalente a 52,3% do total.
Na sequência, aparecem as chaves vinculadas a números de celular, com 166,3 milhões de registros (16,5%); os cadastros associados ao CPF, com 153,9 milhões (15,4%); e os vinculados a endereços de e-mail, com 144,6 milhões (14,3%).
As chaves Pix funcionam como identificadores associados a uma conta bancária ou de pagamento. Elas permitem enviar ou receber valores sem a necessidade de informar todos os dados bancários do destinatário. O usuário pode cadastrar CPF, CNPJ, número de celular, endereço de e-mail ou uma chave aleatória gerada pela instituição financeira.
Pessoas físicas podem cadastrar até cinco chaves por conta, enquanto empresas podem registrar até 20. Cada chave só pode estar vinculada a uma conta por vez. O cadastro e o gerenciamento são feitos pelo aplicativo ou pelo internet banking da instituição financeira.
O uso de uma chave não é obrigatório para realizar transferências. Também é possível utilizar os dados bancários do destinatário ou recursos como o Código QR.
Em setembro, o Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), administrado pelo Banco Central, processou 7,1 bilhões de transações, que movimentaram aproximadamente R$ 3,2 trilhões. O sistema processa e liquida transferências entre diferentes instituições financeiras em tempo real. Operações entre clientes da mesma instituição podem ser liquidadas internamente, sem passar pelo SPI.
Apesar de a chave aleatória reduzir a necessidade de compartilhar dados pessoais, o Banco Central recomenda que os usuários confirmem a identidade do destinatário antes de concluir uma transferência. Em novembro de 2025, a autoridade monetária informou que estudava mecanismos para bloquear a criação de novas chaves não autorizadas como medida adicional de prevenção a fraudes.
A equipe econômica anunciou nesta sexta-feira (9) a desoneração total dos tributos federais incidentes sobre a gasolina por 30 dias. Com a medida, a redução tributária passa de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro, zerando as alíquotas de PIS/Pasep, Cofins e Cide-Combustíveis. O pacote também amplia subsídios ao etanol e ao diesel importado.
O custo estimado das medidas é de R$ 5,2 bilhões no período de 30 dias. A redução sobre a gasolina representa aproximadamente R$ 2,4 bilhões por mês. A decisão foi anunciada a 16 dias do segundo turno das eleições e poderá ser revisada ou prorrogada, conforme as condições econômicas.
Para o etanol hidratado, será mantida a desoneração de R$ 0,19 por litro. O subsídio destinado aos produtores do combustível passará de R$ 0,25 para R$ 0,43 por litro. Já o diesel importado terá uma subvenção adicional de R$ 1,40 por litro, além dos R$ 2,12 já previstos.
Segundo as estimativas apresentadas pelo governo, as medidas relacionadas à gasolina e ao etanol terão impacto de R$ 3,6 bilhões em 2026. O reforço da subvenção ao diesel importado deverá custar cerca de R$ 1,6 bilhão durante os 30 dias de vigência.
Paralelamente, o governo abriu um crédito extraordinário de R$ 7,52 bilhões para o Ministério de Minas e Energia. A medida foi formalizada pela Medida Provisória 1.395, publicada nesta sexta-feira no Diário Oficial da União.
Do total liberado, R$ 6,17 bilhões serão destinados ao diesel de uso rodoviário. Outros R$ 1,35 bilhão financiarão ações relacionadas a derivados de petróleo. De acordo com as informações divulgadas, os recursos cobrem os subsídios atualmente previstos.
O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, justificou as medidas pela alta internacional do petróleo e pelos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o mercado de combustíveis. Segundo ele, o barril do tipo Brent ultrapassou US$ 100, ante aproximadamente US$ 70 antes do conflito. As margens internacionais de refino também subiram, pressionando os preços dos derivados.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo pretende usar o aumento da arrecadação com receitas petrolíferas para reduzir os efeitos da alta dos combustíveis sobre a população.
Segundo o Ministério do Planejamento, as renúncias fiscais relacionadas à gasolina e ao etanol serão compensadas por receitas extraordinárias de petróleo da União. A pasta informou que as medidas são temporárias, valem apenas para 2026 e poderão ser revistas conforme a conjuntura econômica e a disponibilidade orçamentária e financeira.
O crédito extraordinário será destinado à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), responsável por ações relacionadas às subvenções econômicas previstas nas medidas provisórias editadas neste ano.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou alta de 0,82% em setembro e acumulou avanço de 4,29% nos 12 meses encerrados no período. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em agosto, o acumulado em 12 meses estava em 3,98%.
Em setembro, os produtos alimentícios tiveram aumento médio de 0,80%, enquanto os itens não alimentícios subiram 0,83%, segundo o instituto.
O INPC é acompanhado porque influencia o reajuste de salários de diversas categorias. O acumulado dos 12 meses é usado como referência ao longo do ano, conforme as regras de cada negociação ou benefício.
O salário mínimo, por exemplo, utiliza o resultado do INPC de novembro em seu cálculo. Já o seguro-desemprego, o teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e os benefícios pagos a pessoas que recebem acima do salário mínimo são reajustados com base no INPC acumulado até dezembro.
O IBGE também divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país. O indicador subiu 0,82% em setembro e acumulou 4,58% em 12 meses.
A principal diferença entre os dois índices está na faixa de renda das famílias pesquisadas. O INPC mede a variação de preços para famílias com renda de um a cinco salários mínimos. O IPCA considera lares com renda de um a 40 salários mínimos.
O salário mínimo atualmente é de R$ 1.621. A apuração do INPC considera os preços de 367 produtos e serviços, chamados de subitens, dez a menos do que a cesta utilizada no IPCA.
Os grupos de produtos também têm pesos diferentes em cada índice. No INPC, os alimentos representam cerca de 25% da composição, acima da participação aproximada de 21% no IPCA. Isso ocorre porque as famílias de menor renda destinam proporcionalmente uma parcela maior do orçamento à alimentação.
Em sentido oposto, as passagens aéreas têm peso menor no INPC do que no IPCA. De acordo com o IBGE, o objetivo do índice é medir as variações de preços da cesta de consumo da população assalariada de menor rendimento para acompanhar a correção do poder de compra dos salários.
A coleta de preços é realizada em dez regiões metropolitanas: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. A pesquisa também abrange Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.
A inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,82% em setembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (9). Foi a maior alta mensal desde março de 2026, quando o índice avançou 0,88%. Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses passou de 4,22%, em agosto, para 4,58%.
O acumulado ficou acima do teto da meta de inflação, estabelecido em 4,5%. A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, variando de 1,5% a 4,5%.
Desde o início de 2025, a avaliação do cumprimento da meta considera os 12 meses imediatamente anteriores, e não apenas o resultado acumulado até dezembro. A última vez em que o índice ultrapassou o limite superior havia sido em junho, quando o acumulado chegou a 4,64%.
O resultado de setembro ficou acima da expectativa do mercado. O boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (5) projetava alta de 0,60% para o IPCA do mês. Para o fim de 2026, a previsão dos agentes financeiros indicada no relatório era de inflação de 5,01%.
O grupo Habitação teve a maior contribuição para a alta, com avanço de 2,31% e impacto de 0,35 ponto percentual no índice. A energia elétrica residencial subiu 7,98% e sozinha respondeu por impacto de 0,32 ponto percentual. Em agosto, o item havia recuado 7,63%.
Segundo o IBGE, a variação foi influenciada pelo fim do Bônus de Itaipu, desconto aplicado na conta de luz de agosto. O benefício corresponde à distribuição do saldo positivo da conta de comercialização da usina de Itaipu. Sem o desconto, a conta de setembro foi comparada a uma base mais baixa. Também houve reajustes contratuais em Belém, São Luís e Vitória.
Transportes subiu 0,89%, pressionado pelas passagens aéreas, que ficaram 9,66% mais caras. Os combustíveis aumentaram 1,41%, com altas na gasolina (1,21%), no etanol (3,16%), no óleo diesel (1,69%) e no gás veicular (0,10%).
Depois de três meses consecutivos de queda, o grupo Alimentação e bebidas avançou 0,83%. A alimentação no domicílio subiu 0,96%, com destaque para as altas do tomate (37,76%), da batata-inglesa (24,07%), da cebola (10,14%), do arroz (4,56%) e das carnes (0,63%). Entre as quedas, apareceram o frango inteiro (-1,96%), o frango em pedaços (-1,41%) e as frutas (-1,12%).
O índice de difusão, que mostra a proporção de produtos e serviços pesquisados com aumento, ficou em 55% em setembro, ante 54% em agosto. O grupo de serviços subiu 0,61% e acumula alta de 5,98% em 12 meses. Já os preços monitorados avançaram 1,59% no mês e acumulam 4,13% em um ano.
O governo federal abriu um crédito extraordinário de R$ 7,52 bilhões para financiar programas de subsídio à produção e à importação de combustíveis. A medida foi autorizada pela Medida Provisória nº 1.395, publicada nesta sexta-feira (9), e prevê a aplicação dos recursos em ações vinculadas ao Ministério de Minas e Energia.
Do total liberado, R$ 6,17 bilhões serão destinados à subvenção da produção e da importação de óleo diesel de uso rodoviário. Os R$ 1,35 bilhão restantes serão empregados em medidas relacionadas a outros combustíveis derivados de petróleo.
Os recursos serão repassados à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O dinheiro deverá atender despesas relacionadas a ações de subvenção econômica estabelecidas em medidas provisórias editadas ao longo deste ano.
A maior parcela está vinculada à Medida Provisória nº 1.363/2026, que trata da subvenção à produção e à importação de óleo diesel de uso rodoviário. Para essa finalidade, foram reservados R$ 6,17 bilhões.
Já os R$ 1,35 bilhão destinados aos demais derivados de petróleo correspondem às ações previstas na Medida Provisória nº 1.358/2026. Com isso, o crédito extraordinário totaliza R$ 7,52 bilhões.
Segundo a Constituição, créditos extraordinários são instrumentos usados para atender despesas urgentes e imprevisíveis. A abertura do crédito ocorre enquanto o governo busca viabilizar as medidas de subvenção relacionadas ao mercado de combustíveis.
Os juros altos são o principal obstáculo para a indústria brasileira acessar crédito, segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira (9) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Entre as empresas que tiveram dificuldades para obter financiamento de curto ou médio prazo, 76% apontaram as taxas elevadas como uma das principais barreiras. Nas operações de longo prazo, com vencimento superior a cinco anos, o percentual foi de 69%.
A Sondagem Especial 107 – Condições de Acesso ao Crédito em 2026 ouviu 1.701 empresas industriais de todo o país entre 3 e 12 de agosto. O levantamento considerou as condições enfrentadas pelas empresas entre fevereiro e julho e reuniu respostas de 692 pequenas, 612 médias e 397 grandes indústrias.
Apesar de continuarem no topo da lista de dificuldades, os juros perderam peso em comparação com a pesquisa anterior. Em 2025, as taxas elevadas haviam sido citadas por 80% das empresas nas operações de curto e médio prazo e por 71% nas de longo prazo.
“A queda dos juros leva um tempo para se refletir no custo do crédito, que ainda chega bastante elevado para as empresas”, afirmou, em nota, Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI.
Depois dos juros, as exigências de garantias reais foram apontadas como o principal entrave no crédito de curto e médio prazo, citadas por 33,4% das empresas. Nas operações de longo prazo, o percentual foi de 31,5%. A burocracia apareceu para 13,6% dos empresários no curto e médio prazo. No financiamento de longo prazo, a segunda dificuldade foi o prazo de carência considerado insuficiente, mencionado por 18,9%.
Quase metade das empresas industriais, 49,9%, não tentou contratar ou renovar crédito de curto ou médio prazo no período analisado. Apenas 22,9% conseguiram contratar ou renovar o financiamento, enquanto 7,5% tentaram, mas não obtiveram os recursos.
No longo prazo, 54% não buscaram financiamento. Outros 15,5% conseguiram contratar ou renovar operações e 9,2% procuraram crédito, mas não tiveram sucesso. Considerando somente as empresas que efetivamente buscaram recursos, a taxa de frustração subiu de 20% para 24,7% no curto e médio prazo e de 33% para 37,2% no longo prazo, na comparação com 2025.
As pequenas empresas registraram os maiores índices de insucesso. No crédito de longo prazo, 48,2% das pequenas e 48,1% das médias não conseguiram obter os recursos procurados, ante 29,9% das grandes empresas.
A pesquisa também mostrou que as indústrias continuam usando linhas de longo prazo para financiar despesas do dia a dia. Entre as empresas que buscaram, contrataram ou renovaram esse tipo de crédito, 28,7% indicaram o capital de giro como principal finalidade. O índice ficou acima dos percentuais destinados à compra de máquinas e equipamentos, de 23,6%, e à construção ou instalação, de 11,6%. No curto e médio prazo, quase 60% apontaram o capital de giro como principal uso.
Para facilitar o acesso ao crédito, a redução dos custos tributários e administrativos foi a medida mais citada: 38,4% para operações de curto e médio prazo e 31,2% para as de longo prazo. Também foram mencionadas a ampliação das linhas públicas e a simplificação das exigências bancárias.